amormentar

Quando Alice completou 4 meses ela começou a ficar experiente na prática de mamar no peito. Foi aí que eu parei de sentir minha fabriquinha de leite trabalhar com força total e tive muito medo de esse ser o fim da amamentação. Felizmente não era. Alice já sabia exatamente o que fazer pra tomar todo leite e em menos tempo do que de costume, é normal e a maioria das mães passam por isso nessa fase e se assustam. Aos 6 meses veio o plano de desmame, que nada mais é que começar a alimentação com sólidos, saindo da fase de amamentação exclusiva. É um nome feio e que deixa um monte de mães com medo de que nessa fase o bebê deixe de mamar no peito. Alguns trocam o seio pela mamadeira sim, mas vai da insistência e paciência de cada mãe em não deixar que isso aconteça.

Aos 8 meses o pediatra da Alice recomendou complementar o aleitamento materno com leite de fórmula. Foi então que meu pesadelo começou. No início a gente se ilude um pouco, afinal a ideia era dar fórmula apenas a noite pra que ela dormisse melhor e continuar com o aleitamento materno durante o dia. Infelizmente em alguns dias Alice começou a estranhar o peito e foi, aos poucos, rejeitando a ponto de fazer careta ou até mesmo morder. Comecei uma tática de amamentar quando ela acordava por volta de 6 horas da manhã, mas não despertava direito, então mamava e nem percebia que era peito. Até aí, eu que já não dormia mais do que 4 horas seguidas nem ligava  pras vezes que tinha que levantar de madrugada, era uma maneira que eu tinha de continuar o aleitamento materno sem ela rejeitar, mesmo que eu ficasse igual um zumbi. Só que uma hora o bebê realiza o sonho de qualquer mãe que está ha meses sem dormir direito e resolve que também quer dormir a noite toda. E o meu sonho de dormir uma noite se tornou no pesadelo de não amamentar mais minha filha.

Hoje faz dois dias que Alice completou nove meses, faz também duas noites que eu durmo mais de seis horas seguidas e há duas noites ela não mama mais o meu leite. A primeira vez que pensei ser o fim do meu aleitamento, cheguei a chorar de medo. Não queria que nada no mundo acabasse com aquele momento tão nosso. Conforme os meses foram passando e as mamadas foram diminuindo, a gente vai se preparando sem saber, afinal não é de um dia pro outro que tudo acaba, mas eu não quero que acabe! Só que hoje eu sei que essa escolha não é só minha e agora que minha ficha tá caindo. Alice tem quase 5 dentes e já não é mais meu bebêzinho. Ela já é quase uma criança que aprende o que é ter vontade e, embora muito nova, ela já começa a saber o que quer. Quer ser uma filha linda que deixa a mamãe descansar por uma noite inteirinha, mas que em troca também escolheu o que queria. Só agora, com o fim desse momento que tínhamos juntas é que eu finalmente percebi que todas nossas escolhas não dependem somente de nós mesmos e que pra sempre teremos que abrir mão de certas coisas pelo nosso bem e do próximo.

Eu guardo nossas noites no coração enquanto olho pra Alice mordendo o sofá e fazendo graça, porque não vai ser um desmame que vai me tirar uma gota de amor que transborda nesse meu peito que fecha a fábrica de leite para ampliar o espaço do amor.

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Escrito por Stephanie Salateo
criadora de conteúdo criativo, mãe de Alice e Caetano, moro em São Paulo e não vivo sem café. tenho 31 anos e sou geminiana com ascendente em câncer, ou seja, não faço muito sentido.