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Nos anos 80 e começo dos anos 90, quando eu era criança, vídeo-game já existia, mas era mais coisa de adolescente. Eu gostava mesmo de andar de bicicleta, brincar de polícia e ladrão, subir na amoreira da rua, jogar taco, andar de skate, fazer bolinhos de barro etc. Claro, tive o privilégio de crescer numa casa com um quintal grande e numa rua tranquila, mas naquela época as crianças eram crianças. Computador, internet, vídeo-game só entraram de verdade na minha vida depois dos meus 12 anos. Acho que as fases de desenvolvimento eram mais nítidas, mais divididas. Claro que com a evolução do mundo, das pessoas, da tecnologia e blá blá blá, tudo acaba acontecendo mais rápido, com isso as nossas crianças são mais precoces do que nós fomos. É normal da evolução do ser humano, mas o que não é normal é usar essa evolução geral para essa adultização infantil que vemos por aí. Cara, criança é diferente de adolescente, que é diferente de adulto.

Hoje em dia é tão comum ver crianças de 5 anos ou menos com o seu próprio tablet, ipod ou até mesmo celular nas mãos, jogando loucamente, assistindo vídeos ou até mesmo acessando as redes sociais, que diga-se de passagem têm idade mínima para cadastro. Já inventaram tablet para crianças e acho que a única opção realmente infantil é aquela que tem formato de tablet mas possui botões com letras e o ABC, o resto, que serve pra jogar, ver vídeos etc, não servem para crianças, que dirá o seu iTudo. Eu acredito que criança não precisa nem ver tevê, porque realmente não precisa. Fico embasbacada com pessoas que colocam seus bebês para assistirem desenho o dia inteiro e acreditam que eles adoram. Outra coisa que acham uma graça é bebê ter habilidade para deslizar os dedinhos em telas de celulares, todo mundo acha o máximo. Realmente é legal como eles aprendem rápido e se eles sabem mexer no celular é porque você, pai ou mãe, faz isso com frequência na frente deles. Eles são reflexos do que somos e imitam tudo que fazemos, mas não é por isso que a gente deve tratá-los como mini adultos. Não precisamos presentear com tablets ou celulares de última geração, vestí-los como você se veste e nem maquiar nossas meninas como se fossem para uma festa à noite.

Na tevê, em um canal infantil, passa sempre uma propaganda de uma grife de roupas infantis em que as meninas estão vestidas como mini madames, uma delas está tão maquiada que chega a ser bizarro. Só que segundo a Anvisa há uma demanda social, ou seja, mães estão maquiando suas meninas muito cedo e com produtos de adulto, por isso eles resolveram que precisam liberar venda de desodorante e maquiagem infantil para idades a partir dos 3 anos. Não encontrei nada a respeito da real liberação, mas a gente já vê cosméticos para crianças nas prateleiras de lojas e farmácias. Esse fim de semana li uma matéria contando que estão confeccionando sutiãs com bojo para meninas a partir de 2 anos. Fiquei em choque! Isso é tão absurdo por inúmeras razões. Fora o fato de ser completamente desnecessário, qual é a necessidade de sensualizar nossas meninas? Já não é um absurdo justificarem o estupro com a maneira das mulheres se vestirem? Pra quê dar mais um motivo para justificarem a pedofilia? É tão absurdo comercializarem sutiãs infantis com bojo quanto culpar a vítima pelo abuso.

Vamos deixar que nossas crianças sejam crianças! Elas precisam de atenção, de carinho, de bons exemplos. Por mais que uma mãe ou um pai trabalhe, dedicar parte do seu tempo ao seu filho vai fazer com que ele se torne uma pessoa melhor. Nós não precisamos presenteá-los com acessórios adultizados para compensar o tempo que não estamos ao lado deles. É incompreensível o que estamos fazendo com as nossas crianças. Se comercializam sutiã com bojo para crianças é porque compram e isso simplesmente não entra na minha cabeça. Ou será que eu sou antiquada demais?

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Escrito por Stephanie Salateo
criadora de conteúdo criativo, mãe de Alice e Caetano, moro em São Paulo e não vivo sem café. tenho 31 anos e sou geminiana com ascendente em câncer, ou seja, não faço muito sentido.