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Outro dia eu fiquei tão passada com o quanto essa obsessão surreal com beleza está afetando as crianças, mais especificamente as meninas. Tão absurdo que as empresas estão vendo uma necessidade (e oportunidade) em criar linha infantil para diversas coisas como maquiagem e até mesmo sutiãs. É inegável que a indústria da moda tenha uma culpa absurda na maneira como enxergamos a nós mesmas. E isso está tomando uma proporção tão catastrófica que está afetando a maneira como nossas filhas enxergam seus pequenos corpos. Vi na tevê uma pesquisa com meninas de 4 anos se achando gordas e feias!!!!! Elas eram todas magras e bonitas. O motivo para isso era justificado ao final quando, em uma roda de conversa, elas repetiam frases que ouviam das próprias mães ao reclamarem de si mesmas.

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Semana passada um monte de gente começou a compartilhar fotos sem maquiagem em pról da campanha #StopTheBeautyMadness mas, infelizmente, na minha timeline foram pouquíssimas as ~selfies~ com a hashtag da campanha, 99% das postagens eram de um tal de desafio no qual quem não postasse a foto sem maquiagem em até 24 horas teria que dar um estojo de maquiagem ou até mesmo dinheiro para quem a desafiou. Uma espécie de desafio do balde que perdeu o sentido no meio do caminho.
A campanha é super bacana, é uma forma de fazer com que as pessoas deixem de ter vergonha de si mesmas e passem a se gostar mais como realmente são, sem maquiagem e corpos perfeitos. Podemos tomar como exemplo uma modelo que postou no instagram um comparativo do seu corpo com e sem photoshop porque ficou revoltada com a maneira exagerada que a emagreceram, sendo que ela já é magra. Eu mesma já tive várias crises, principalmente na adolescência e elas eram sempre relacionadas a beleza: meu corpo que não era bonito e magro, minha testa que é muito grande, minhas pernas que são finas e tortas. Hoje eu posso dizer com toda tranquilidade do mundo que estou muito feliz com o meu eu físico e até já fiz um post sobre a aceitação do meu corpo após a gravidez, que foi quando eu realmente passei a me amar de verdade. Foi um processo longo até chegar à aceitação total, mesmo não sendo neurótica em relação a isso há anos, foi só depois da gravidez, e de todas as mudanças físicas e hormonais, que minha ficha caiu. Eu sou bonita porque eu me amo e me aceito como sou, não porque eu uso maquiagem, escovo o cabelo, não como doces e estou sempre de dieta.

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Se a gente insistir em consumir essa imposição absurda da mídia, nós continuaremos nos sentindo criaturas inferiores, achando sempre que o cabelo da vizinha é mais sedoso e que a pele da amiga é tão perfeita e macia que ela nunca vai envelhecer. Ou pior, vamos continuar criando nossos filhos para que sejam crianças e adultos inseguros ou maldosos com os outros. A campanha #StopTheBeautyMadness vai além de compartilhar uma fotografia sem maquiagem, ela foi criada para que você tenha consciência do mal que isso está fazendo a você e em quem se espelha em você, seja sua filha, sua irmã ou sua prima. Essa obsessão em ter um corpo, rosto e vida perfeita não vai te levar a lugar nenhum, a não ser a uma vida infeliz. Não se julgue, para que os outros também não sejam julgados. Não pelas aparências.

Esse post faz parte da blogagem coletiva com tema sugerido pelo Rotaroots e você pode ler todos os posts que eu já publiquei e se quiser participar faça parte do grupo no facebook e saiba como.

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Escrito por Stephanie Salateo
mãe de Alice e Caetano, fotógrafa documental, crio conteúdo criativo e tomo muito café. tenho 31 anos, sou geminiana com ascendente em câncer e lua em leão. tô aqui para ajudar mulheres a se empoderarem, mães a levarem uma maternidade mais leve e para compartilhar meus aprendizados.