Parece que foi ontem que eu fiz o teste de farmácia e chorei de medo e alegria ao descobrir que estava grávida. Pensando em largar o emprego pra seguir carreira independente e de repente descubro que tenho uma responsabilidade enorme crescendo dentro de mim. Costumo pensar que existem duas Stephanie: a de antes da gravidez e a que está nascendo agora, crescendo aos poucos no decorrer dessas 35 semanas, tão longas que parecem curtas. A Stephanie mãe que vem se desenvolvendo com cada pulo que Alice dá dentro de mim, em cada sentimento novo que descubro que existe e que eu mal desconfiava antes. 35 semanas e mesmo com a cômoda cheia de roupas, toalhas, cobertores, fraldas e tudo que existe numa lista de enxoval, me pergunto todos os dias se Alice tem tudo que precisa pra nascer. Ela tem sim, mas o mais importante é o que não cabe nessas gavetas, o amor que todos nós já sentimos por ela. Alice já é uma menina de sorte.

35 semanas de gravidez

Hoje, completando 35 semanas de gravidez, começo a perceber que toda essa gestação tranquila que tive até agora está ficando pra trás. O medo, a ansiedade, as noites mal dormidas por faltar posição confortável na cama, o sono incontrolável, tudo isso têm tomado conta de mim e me consumido com vontade absoluta. De manhã me levanto porque a fome é imensa e não porque já descansei o suficiente. Isso quando a vontade de comer não surge em uma das inúmeras vezes que me levanto de madrugada pra fazer xixi. Dormir, dormir e dormir, é o que eu mais penso e desejo o dia inteiro. Ir trabalhar também começa a ficar difícil, uma vez que dirigir passa a ser desconfortável além de render umas belas tonturas e enjôos. Subir qualquer escada é como correr uma maratona e os 27 degraus que separam o portão do escritório são torturantes. Sentar como uma lady com as pernas fechadas? Desculpa, mas não rola. E assim meu bom humor vai se esgotando a cada dia que passa. Paciência? Devo ter deixado em algum lugar. E a vontade de ficar sozinha é simplesmente incompreendida por quem está perto. Tudo isso, é claro, é recompensado com os pulinhos que Alice gosta de dar, mas filha maneira um pouco porque às vezes a mamãe sente dor. 

35 semanas de gravidez

Eu nunca estive em uma cama de hospital e a ideia de ser internada não me agrada nem um pouco. É com certeza uma das coisas que mais tem me deixado apreensiva. Não sei se Alice vai vir ao mundo por parto normal ou cesárea, mas de qualquer forma fico assustada. Ao mesmo tempo a ansiedade de poder pegá-la no colo e vê-la dormindo me faz esquecer um pouco esse medo. Faltam apenas 5 semanas pra data prevista de seu nascimento – 19/02/2013. Parece longe e ao mesmo tempo tão perto! Eu realmente me esforço pra não ficar botando expectativa em datas e tento viver um dia de cada vez, sem pensar muito em quanto tempo ainda falta. Mas devo conseguir por apenas alguns minutos, é uma mistura de sentimentos que fica difícil explicar. Afinal, como entender que alguém extremamente alegre por estar perto de dar à luz também está de mau humor, ansiosa e com medo? Ninguém entende e não adianta me abraçar, passar a mão no meu cabelo e dizer que vai dar tudo certo. Eu sei que vai, mas deixa esses meus sentimentos pipocando em mim porque eu sei que tudo isso faz parte das descobertas de uma mamãe de primeira viagem.

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Escrito por Stephanie Salateo
criadora de conteúdo criativo, mãe de Alice e Caetano, moro em São Paulo e não vivo sem café. tenho 31 anos e sou geminiana com ascendente em câncer, ou seja, não faço muito sentido.